A INDUSTRIALIZAÇÃO
Em maio de 1980, o frigorífico foi inaugurado depois de cinco meses de reforma. No primeiro ano de operação chegou a abater até 500 suínos por dia. O alimento era vendido principalmente no formato de cortes salgados e congelados e o mix de industrializados (nos sabores de mortadelas, presunto, apresuntados, dois tipos de lingüiças e salames).
Num gesto visionário, a Sudcoop preservou a marca Frimesa (que pertencia à massa falida) e os produtos eram distribuídos, principalmente, nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro por meio das filiais de vendas que foram adquiridas juntas com o frigorífico.
No mesmo ano (1980), a Sudcoop buscou mais um agregado, através da compra de duas indústrias: Laticínios Rainha, em Marechal Cândido Rondon e em Cascavel. Entrou no segmento de leite com a familiar marca Rei do Oeste, processando 50 mil litros por dia, transformados em leite e creme pasteurizado, queijo prato e mussarela.
Em 1981, a história registrou um dos momentos mais críticos para a Central Frimesa: os balanços apontavam a necessidade de mais investimentos, provocados pela reforma do frigorífico. Sem condições de aportar mais capital, as cooperativas do Sudoeste e a C.Vale de Palotina se desfiliaram do grupo. Apesar das baixas as cooperativas Cotrefal, Copagril, Copagro e Copacol mantiveram atividade da Sudcoop. A sede foi transferida de Francisco Beltrão para Medianeira, no oeste do Estado.
No mesmo ano, mais duas unidades de leite (desta vez os Laticínios Kambi), foram adquiridas pela Cooperativa Central. Elas estavam localizadas nas cidades de Santa Rosa e Matelândia e processavam 45 mil litros de leite. Ocorre, então a organização do sistema de fomento através da coleta de leite nas propriedades por sistema de linhas. A marca Iguaçu foi registrada para a comercialização de rações e concentrados.
Durante os anos de 1983 a 1985, os altos índices de inflação teimavam em reduzir o esforço do grupo Frimesa. Indiferente ao fantasma dos preços, novos produtos foram lançados e novos profissionais contratados. As embalagens passaram pela primeira remodelação e o abate subiu para 205 mil suínos/ano e 3 mil bovinos/ano. A coleta de leite aumentou para 75 mil litros. Nesse período, também foi instalada a filial de vendas de Curitiba.
Na medida em que a industrialização no Brasil avançava e os consumidores mudavam o padrão de consumo, a Frimesa buscou ajustar a técnica e a visão dos negócios no mercado. Com esse desafio, em 1985, uma nova gestão assumiu o comando da Central tendo como meta o crescimento, a modernização e a preparação da base primária.
A primeira ação foi a modernização do frigorífico, registrado no ano 1986, aumentando a capacidade de abate para 1.200 suínos por dia. Nos anos seguintes a Frimesa iniciou o gigantesco projeto de fomento da bacia leiteira do oeste paranaense. No total, foram repassadas 10 mil novilhas da raça holandesa, oriundas do Uruguai, aos produtores integrados e, em parceria com o governo estadual, iniciou-se o processo de inseminação artificial com a finalidade de promover o melhoramento genético do rebanho. Hoje, os produtores colhem os frutos desse trabalho pioneiro: as primeiras ordenhas, que rendiam em média 4 a 9 litros de leite por dia, aumentaram para mais de 30 litros.
Em 1988, ano foi marcado pelo retorno da C.Vale ao grupo de cooperativas que compõem a Central Frimesa, como também, o lançamento da construção da Unidade Industrial de Queijos de Marechal Cândido Rondon. Após esse importante passo rumo ao desenvolvimento, a Frimesa foi incluída na lista das indústrias exportadoras de cortes de carne suína, enviando o primeiro contêiner, com 53 toneladas, para Hong Kong.